Personas en línea

Neste momento há 1 pessoas visitando "RITA VELOSA"

RSS

Comentarios recientes

OS CARAS- DE- PAU!

Enviado por RITA VELOSA em 23/08/2009 às 1:50
RITA VELOSA

         “Uns vêm a passeio, outros a serviço”. Os que vieram a passeio, gastam seu tempo elaborando planos para explorar cada vez mais os que vieram a serviço. Assim é a vida nos dias de hoje: a cara-de-pau grassa à solta, impunemente.

                      Os que vieram a passeio, estão sempre risonhos, sempre disponíveis, sempre abertos a novas amizades e a novos relacionamentos. Estão sempre planejando uma viagem, uma festa, um churrasco; mas, é claro, sempre às custas de um vizinho, sempre na casa dum parente, sempre na chácara de um amigo.

                     Os que vieram a passeio, estão presentes em todos os aniversários, em todos os velórios, em todos os casamentos, em todas as festas de praça, em todos os comícios políticos, congressos, exposições, noites de autógrafos, festas de peão, feiras e shows.

                      Os que vieram a passeio, estão sempre presentes nos botecos, papeando, comendo e bebendo as custas dos amigos.

                      E os que vieram a serviço?

                      Ah, esses?

                      Nem sei por onde andam!

                      Ninguém nunca os vê. Ninguém sabe deles. São uns pobres coitados! Chegam suados e fedidos em casa, desabam no sofá e babam; não sem antes preparar cuidadosamente o relógio despertador para que não corram o risco do vexame de se atrasarem para o trabalho no dia seguinte.

                      E nos finais de semana? Bem, nos finais de semana, eles têm que limpar a casa, abastecer a despensa lavar e passar a roupa suja, tosar e banhar o cachorro, cuidar de suas plantas que estão quase mortas, dizer um rápido alô aos vizinhos, para que saibam que ainda estão vivos.

                       Depois? Ah, depois, eles têm que descansar um pouco, que ninguém é de ferro! Precisam esticar-se na horizontal, curtir o silêncio ao redor, dormir um pouco para esquecer que vieram a serviço. Estão cansados demais para saírem e espairecer.

                       As salas dos psiquiatras, psicólogos e psicoterapeutas estão cheias destes, que vieram a serviço.

                       Sabe por quê?

                       Porque não vieram a serviço por opção. Estão a serviço, o tempo todo, por falta de opção. Estão a serviço, porque os que vieram a passeio não estão fazendo a sua parte; infernizam suas vidas com a sobrecarga de trabalho. Sufocam seus corações e mentes, tiram seu lazer, não lhes deixam tempo para pensar, para orar  ou para aliviar sua carga.

                       Os que vieram a passeio assim fazem para que os que vieram a serviço não ousem pôr as cabecinhas para fora do buraco. Afinal, quem eles pensam que são? Gente?

 TEXTO PUBLICADO NO LIVRO

"FILHOS DAS ESTRELAS" DE RITA VELOSA

PEDIDOS PELO E-MAIL

ritavelosa@bol.com.br

 

 

         

Etiquetas:
Este artigo foi aprovado por 2 de 2 pessoas.

?MELHORIDADE?

Enviado por RITA VELOSA em 29/01/2009 às 14:10
RITA VELOSA
?MELHORIDADE? Existem algumas expressões criadas pela mídia contemporânea que não dá para se entender. Hoje já não se diz ?velhice? ou ?terceira idade?. Acima de sessenta anos, estamos na ?melhoridade ? . E parece que a maioria gostou do termo porque rejeitam ?velhice?, até mesmo tornando-se a palavra, uma palavra tabu, sendo considerada politicamente incorreta. É! Tem mais essa agora! Existem palavras e expressões que não se deve dizer. Deve-se viver no eufemismo. Assim, os pobres e os miseráveis transformaram-se em ?carentes? e ?desprotegidos pela sociedade?. Os negros correspondem aos ?afro-descendentes?. Os índios são os ?povos da floresta?. Os portadores de deficiência física são tratados de ?especiais?. Os mendigos são denominados de ?moradores de rua?. E os ?branquelos?? Vão ser o quê? Caucasianos, talvez? Ou vão continuar sendo os branquelos?No Brasil, realmente, os branquelos estão em extinção; já são a minoria. E como minoria, mereceriam mais respeito. Eu mesma sou uma mistura de branco com índio e negro. E então? Sou o quê? Mestiça? Prefiro que me denominem ?brasileira-padrão?. Portanto, não discordo do eufemismo praticado em nome da delicadeza e do respeito ao próximo. Mas, chamar a velhice de melhoridade já é um pouco demais!Já é cinismo! Esse termo, ?melhoridade?, pode ser adequado para a terceira idade européia, mas não é para brasileiros. Que melhoridade é essa, que não tem nenhum benefício a que deveria ter direito? A saúde do povo brasileiro da ?melhoridade? já é precária, mas ele tem que viver sem assistência médica de qualidade, sem remédios, sem médicos e sem dentista. Morrer nas filas de espera do SUS- Sistema Único de Saúde- é curtir a ?melhoridade?? Morrer nas filas, esperando por um remédio sem o qual não se pode sobreviver ou sem uma operação ou um transplante necessários, é curtir a melhoridade?Ser explorado pelos planos de saúde ?complementares? (complementares a quê?), que cobram da melhoridade as mais altas taxas de adesão e permanência é curtir a melhoridade?A maioria absoluta da terceira idade brasileira não tem dinheiro para pagar esses planos de saúde!Morre no SUS mesmo! A melhoridade brasileira não tem direito de curtir a aposentadoria. Não pode ir pescar, não pode curtir os netinhos, não pode viajar. A aposentadoria cada vez lhe é concedida mais à beira do caixão. A previdência social só aceita osso limpo! Descarnado! Totalmente inútil. Ou concede um benefício irrisório que mais mereceria ser denominado de esmola ou malefício. Assim, a melhoridade tem que se arrastar, mesmo doente e sem assistência médica e trabalhar. Trabalhar até morrer! E a mídia expõe pessoas de sessenta e cinco anos ou mais, em plena atividade, cheias de saúde e vigor físico. É uma minoria de privilegiados que não foi espancada pela vida. Que absurdo! O povão, nessa idade já está no bagaço! E quanto á Educação? O governo não dá bolsas de estudos para pessoas da terceira idade, em final de carreira. Vocês sabiam? O governo não quer investir na melhoridade. Que se danem! Vão para casa ver televisão! Deixem os lugares para os jovens! Essa é a política no Brasil. Chego em frente ao espelho. Desinfeto um bloco dentário provisório, que se perde pela minha boca a mais de um ano. Recoloco no lugar. Aguardo uma verbinha extra para o dentista.Olho para minhas rugas e penso: já passou da hora de dar uma levantada neste rosto enrugado! Mas, cadê a verba? Cadê minha aposentadoria?Penso: por quanto tempo mais precisarei esperar que o IAMSPE restabeleça os convênios com médicos e hospitais para que eu possa fazer um check-up?Minha ?melhoridade? se aproxima. Sinto- me doente. Arrasto-me para o trabalho. Sinto muito medo do futuro, do tempo que me resta. Estou nas mãos do destino! Texto de Rita Velosa Protegido por direitos autorais Favor citar sempre a autoria
Este artigo foi aprovado por 2 de 2 pessoas.

FERIADÃO DO PROFESSOR

Enviado por RITA VELOSA em 13/10/2008 às 0:03
RITA VELOSA

Se o negócio é protestar
eu também vou reclamar.

Que merreca de salário!
Sem comida no armário...
E a assistência médica?
O meu plano de saúde?
Minha aposentadoria?
E a minha casa própria?
Um absurdo o aluguel!

Que me resta nesta vida?
Quem mandou estudar tanto?
Fosse eu um marcineiro,
um torneiro ou um mecânico,
e o povo ia amar...e bajular!

Mas por azar do destino,
me tornei um professor;
essa raça de fantoche
que a política manipula,
torce,rasga,espreme e usa
e depois dá a descarga,
fecha a tampa e vai embora!
Quem me dera estar na Suiça
na Austrália ou Dinamarca!

Mas por azar do destino
é aqui que me chacinam.
Esse chão que me norteia
É o mesmo que chateia.
"Pobre sim,mas sou limpinho!"
Já cansei deste jargão!
Quero ver se o figurão
aguentava em meu lugar!

Quero que o mundo se exploda!
Vou pegar minha mochila,
vou prá praia,vou prô mato,
vou curtir esse meu chão,
vou tomar minha caipirinha
e curtir esse feriadão

Rita Bernadete Sampaio Velosa

Favor citar sempre a autoria
Texto protegido por direitos autorais

GANÂNCIA- A MAIS TRISTE DAS CRÔNICAS

Enviado por RITA VELOSA em 12/10/2008 às 23:16
RITA VELOSA

A CACHOEIRA QUE NÃO EXISTE MAIS

 

Eu não sou comunista.Eu não sou socialista.Eu não sou capitalista

Eu sou contra a ganância, contra a falta de humanidade, contra os assassinos que pisam na cabeça de outrem para subir na vida.

Eu sou contra hidrelétricas estourando em cima de população ribeirinha sem aviso prévio e sem prévia evacuação.

         Que termo usar para denominar quem provoca esse tipo de “imperícia”?

         Eu só conheço um: assassino! Maldito assassino! Porque mata inocentes, pessoas que estão em casa, vivendo suas humildes vidas sem nada querer a não ser paz e uma vida simples e digna, dedicada à natureza e ao amor.

         Que absurdo! Onde o homem chegou?

         E o homem chega a isso por ganância; por desejo de poder e de dinheiro.

Eu não tenho amigos na mídia. Eu não sou uma poderosa jornalista. Ainda bem! Porque senão faliria as empresas onde trabalhasse; diria a verdade sempre. Não pintaria a realidade de acordo com os interesses dos patrocinadores. Poria logo “fogo na fundanga”!

Por isso não exerço mais a profissão. Ela não existe mais ( salvo raras exceções). A ser cabo mandado, marionete, prefiro ser professora e formar novas cabeças em sala de aula: mais humanas, mais bondosas, menos consumistas e gananciosas.

Prefiro ensinar os limites; tentar mostrar até aonde podemos ir e aonde não devemos ir, em nome do “bem-estar”.

Tomara que eu tenha sucesso!Algumas das sementes que plantei germinarão, com certeza, porque  jamais fiz isso por dinheiro ou por poder.Fiz, porque sentia que era necessário; porque era a parte que me cabia fazer para tentar resgatar o ser humano decaído e expulso do paraíso.

         Prefiro ajudar a salvar esse paraíso que nos foi dado em substituição e que também é tão perfeito a nossos olhos, que nos parece o verdadeiro paraíso.

         Quando olhamos para um rio como o Corrente, no planalto Central Brasileiro, para sua mata ciliar, para suas cachoeiras, quando convivemos com toda essa realidade indescritível, sentimos Deus e nos apaixonamos para sempre, irremediavelmente! Somos parte de Deus! Somos quase que perfeitos se conseguimos sentir aquela beleza em nossas entranhas. Foi o que aconteceu com nossa família, por três gerações.

         Até 30 de Janeiro de 2008 quando destruíram a Cachoeira das Andorinhas.

         Essa cachoeira, no Rio Corrente, em Goiás, tinha mais de 100 metros de largura por 12 de altura: um espetáculo paradisíaco!

Lá, aos seus pés, ficava a sede da fazenda Curral de Pedras.

Dia 30 de Janeiro o homem fez papel de Deus usando seu livre arbítrio e destruiu tudo: quebrou toda a cachoeira, soterrou-a com pedras imensas, varreu do mapa a sede da fazenda e destruiu duas RPPNs existentes no local. Acabou com a mata ciliar do Rio Corrente por quilômetros e assoreou o rio todo. Matou fauna e flora sem piedade. Pôs em risco centenas de vidas humanas. Desabrigou famílias que não tem agora para onde ir.

E essa, é só mais uma história comum.

Todos os dias estamos vendo histórias parecidas nos jornais e nas TVs.

É a banalização do genocídio, da tragédia, da destruição da natureza.

Tudo em nome da ganância! Mas quem liga?

Gaia liga!

E fará justiça cedo ou tarde; podem crer!

 

Texto de Rita Velosa

Favor citar sempre a autoria

Protegido por direitos autorais

 

 

Este artigo foi aprovado por 1 de 1 pessoas.